Tuesday, January 17, 2006

Arq/UFRGS - 15 agosto a 02 setembro de 2005

Monday, January 16, 2006


Information Sciences and Technology Building, Rafael Viñoly, 2003

Information Sciences and Technology Building, Rafael Viñoly, 2003

Information Sciences and Technology Building, Rafael Viñoly, 2003

Information Sciences and Technology Building, Rafael Viñoly, 2003

Eisenhower Auditorium, 1974

Eisenhower Auditorium, 1974

Chemistry Building, Bower, Lewis, Thrower Architects/Payette, 2003

Chemistry Building, Bower, Lewis, Thrower Architects/Payette, 2003

Deike Building, 1939

Electrical Engineering West, 1952

Hallowell Building, Charles Z. Klauder, 1934

Hosler Building, Charles Z. Klauder, 1932

Life Sciences Building, Bower, Lewis, Thrower Architects/Payette, 2003

Life Sciences Building, Bower, Lewis, Thrower Architects/Payette, 2003

MBNA Carrer Services, Weber Murphy Fox, 2002

Old Botany Building, 1887

Old Main, Charles Z. Klauder, 1930

Palmer Art Museum, Charles Moore, 1993

Pasquerilla Spiritual Center, James Oleg Kruhly, 2000

Schwab Auditorium, 1903

[West Halls, 1924

[Garfield Thomas Water Tunnel, 1949

texto informativo da mostra

The Landscape of Penn State University
Texto de Lucas Welter

Campus: uma tradição americana de planejamento

Enquanto planejava a Universidade da Virginia (1817), Thomas Jefferson descrevera seu objetivo como a criação de uma “vila acadêmica”. Este termo expressa a visão de Jefferson sobre educação e planejamento, mas também resume um traço básico na educação superior americana do período colonial até os dias presentes: a concepção de universidades como comunidades – em efeito, cidades dentro de um microcosmos. Isto reflete padrões e ideais educacionais os quais, apesar de derivados da Europa, desenvolveram-se em distintos American ways. Como resultado, a forma física das universidades americanas – seus edifícios, áreas abertas e demais espaços – são diferentes de qualquer outra coisa, e proporcionam assim, oportunidades para examinar os caminhos nos quais o design arquitetônico é moldado pelo caráter particular deste tipo de instituição.

Através da sua história, o padrão americano seguiu o modelo inglês, onde estudantes e professores moravam e estudavam juntos em pequenas escolas, os colleges. Com o passar dos tempos, mesmo com o surgimento das grandes universidades, as escolas americanas procuraram seguir à risca este padrão, em contraste com o padrão da Europa Continental, muito preocupada com a parte acadêmica, mas pouco interessada na vida extra-curricular dos seus estudantes. Assim, as universidades americanas não necessitavam somente de salas de aula e outros espaços acadêmicos, mas dormitórios, salas de refeições e outras facilidades de recreação para quase a totalidade dos seus alunos, sendo o trabalho do arquiteto não somente desenhar edifícios, mas a criação de uma completa comunidade.

Reafirmando a sua fé no espírito dos colleges, os Estados Unidos seguiram o modelo inglês, mas foram capazes, através de várias formas, de criar um caráter próprio. Começando no período colonial (século XVII), seguiu-se a tradição de criar escolas individuais em locais separados, em oposição ao modelo europeu de agrupá-las em universidades, e assim intensificar a natureza de cada college como uma comunidade. Surge outra inovação, a localização dos colleges no campo e em lugares remotos, uma quebra com a tradição européia. A noção romântica de uma escola na natureza, longe das forças corruptas da cidade virou um ideal americano. Mas no processo, as escolas precisavam se tornar cada vez mais um tipo de cidade em miniatura e assim, o seu design tornou-se um experimento em urbanismo.

Outro traço característico dos colleges americanos é a sua abundância de espaços e abertura para o mundo. Desde o seu início, em Harvard (1636), o modelo americano rejeitou a tradição européia de enclausurar as escolas em blocos, em favor de edifícios separados, abertos e localizados em amplos espaços verdes. Este ideal é tão forte, que mesmo as escolas urbanas, onde as terras são mais escassas, frequentemente gastam enormes somas tentando recriar a espaciosidade do campo.

A palavra campus, mais do que qualquer outro termo, sintetiza o caráter físico dos colleges e das universidades americanas. Quando o termo foi usado pela primeira vez para descrever os espaços de um college, provavelmente campus (do latim) só significou campo e descrevia a vastidão verde que já configurava um distintivo entre as escolas americanas (Segundo Paul Turner, provavelmente usado pela primeira vez em Princeton, para descrever o espaço entre o Nassau Hall e a rodovia, cerca de 1770.). Gradualmente o termo assumiu um significado maior, até a maioria das universidades o usarem para descrever todo o conjunto, incluindo aí também os edifícios. Como uma cidade em um microcosmos, o campus foi moldado pelo desejo de criar uma comunidade ideal, e foi frequentemente uma forma de expressar as visões sociais utópicas da imaginação americana. Acima de tudo, o campus revela a força de um ambiente físico ao moldar o caráter da universidade americana.


Frederick Law Olmsted e os “Land-Grant Colleges”

Frederick Law Olmsted foi sem dúvida um dos maiores planejadores de campi dos Estados Unidos. Entre os projetos os quais esteve envolvido, está o da Pennsylvania Agricultural College, escola que posteriormente deu origem a The Pennsylvania State University. Ele esteve envolvido na concepção de pelo menos outras 20 escolas entre 1860 e 1890 e devotou atenção especial aos land-grant colleges.

Em 1857, foi apresentada uma proposta ao congresso americano que ficou conhecida como Land Grant College Act. A lei doava a cada estado, uma parcela de terras do governo federal que deveriam ser vendidas, usando o dinheiro arrecado no estabelecimento de colleges s voltados para agricultura e engenharia. Os estados tinham diferentes idéias de como usar este dinheiro: alguns doaram para as universidades estaduais existentes, outros doaram para universidades particulares e outros ainda criaram novas escolas. Mesmos com estas diferenças estaduais, as escolas beneficiadas com a lei, compartilhavam certas metas em comum, incluindo educação prática, acesso à educação independente da classe social e liberdade para os estudantes escolherem as disciplinas que gostariam de estudar. Estes ideais foram a base das reformas que o sistema superior americano enfrentou a partir da metade do século XIX.

Mesmo com interesses comuns, não havia consenso sobre o planejamento físico para este novo tipo de instituição. O interesse de Frederick Law Olmstead em parques e públicos e sua preocupação coma educação tinham o mesmo motivo: um idealismo democrático e um comprometimento com o bem estar das classes trabalhadoras, mas também um sentimento de que a sociedade americana tinha de ser “civilizada” se a democracia triunfasse. Olmstead defendia um campus mais informal em oposição a uma simetria rígida por dois motivos: um arranjo dos edifícios harmonizaria artisticamente melhor com o caráter desejado para uma vizinhança e também porque permitiria qualquer ampliação ou modificação do plano físico do campus.

Apesar de Olmsted defender seu novo conceito de campus com um argumento prático e ao mesmo tempo estético, ele tinha também uma base moral para isso: seu credo de que um college planejado como uma comunidade suburbana em uma escala doméstica, em um cenário de parque público, iria criar valores civilizados e iluminados nos seus estudantes.


The Pennsylvania State University e a “vila acadêmica”

A Penn State University foi criada pela Commonwealth of Pennsylvania em 1855 atendendo a um pedido da Sociedade Agrícola do estado. Inicialmente criada como Pennsylvania Agricultural College, a idéia era aplicar princípios científicos para agricultura e engenharia, uma mudança radical ao tradicional currículo baseado em matemática, retórica e línguas clássicas. O Centre County, condado estabelecido no coração geográfico do estado, foi o local escolhido para sediar a nova escola, graças a uma doação de 200 acres de terra feita por um morador de uma cidade próxima.

Em 1863 o Pennsylvania Agricultural College passa a ser o único receptor da land-grant do estado. O retorno a este apoio do poder público veio logo, transformado na expansão dos programas acadêmicos. Já em 1882 a escola passou a chamar-se Pennsylvania State College. Na mesma época foram introduzidos os cursos de engenharia e em pouco tempo a escola passou a figurar entre os 10 maiores programas de engenharia dos Estados Unidos.

Em 1953 a escola passa oficialmente a chamar-se The Pennsylvania State University, cujo principal campus passa a ser University Park, uma vila universitária dentro da cidade de State College, cuja fundação em 1886 é decorrente da expansão dos programas da Penn State. Hoje a universidade conta com 45 mil alunos no campus de University Park, para uma população de 15 mil não alunos em State College. Ou seja 3 em cada 4 habitantes na cidade é aluno da Penn State.

O sonho de Olmsted se concretizou em State College. Embora não envolvido coma evolução do campus, o desenvolvimento físico acabou sendo aquilo que ele previra já em 1860: um campus mais informal, de crescimento aparentemente não planejado que ainda hoje possibilita a renovação e ampliação da “vila acadêmica”.


Brickscapes: fotografia e o processo digital

O tema da mostra são as paisagens (landscapes) de tijolos (bricks) da Penn State University. Não se sabe ao certo, mas uma das teorias é que o seu uso abundante, especialmente nos State Colleges, foi devido ao seu baixo custo. Certamente, a continuidade no uso serve para manter a unidade do conjunto arquitetônico, ajudando a manter o caráter da vila acadêmica.

As fotos da mostra dão preferências aos “signature buildings” do campus de University Park, no qual fui aluno durante o segundo semestre de 2004. A Universidade, acreditando na tradição de planejamento dos campi, tem investido na contratação de arquitetos renomados, os chamados Star Architects, para qualificar o conjunto da obra construída. Entre os nomes conhecidos internacionalmente que recentemente construíram ou estão construindo em University Park, estão Rafael Viñoly, Charles Moore, Robert Stern, James Oleg Kruhly, SOM e Helmut Jahn.

Todas as fotografias aqui expostas foram tomadas através de câmeras digitais e foram extensivamente manipuladas.
Maiores infos escrevendo para lucas@welter.com


BRICKSCAPES